

SUDÃO
Confronto violento em Malakal, no Sul do país deixa 300 mortos
Os últimos três dias não serão esquecidos pela população da cidade portuária de Malakal (foto), situada às margens do Nilo, no sul do Sudão. Um violento confronto entre a milícia liderada pelo Major Gen Gabriel Tang e o Exército de Libertação do Povo do Sudão (ELPS) deixou cerca de 300 mortos.
" Foram combates violentos. Infelizmente, isso prejudica o acordo de paz selado em 2005 que acabaria com 20 anos de guerra civil", diz uma fonte que preferiu não se identificar.
O motivo do confronto seria a batalha pelo controle de poços de petróleo na região ( infográfico). Delegações de Khartoum e Juba, junto com a ONU, enviaram homens armados para manter a paz.
Até o fechamento desta reportagem, as informações eram de que as forças em conflito regressaram às suas posições originais e assinaram o cessar-fogo, permitindo que os capacetes azuis se retirassem da área.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse estar "profundamente preocupado com este novo conflito no país" e apelou ao Governo de União Nacional e ao governo sulista para que fizessem "todos os esforços possíveis para conter a situação" .
A vida para os civis sudaneses não têm sido nada fácil desde 2003. Cerca de 2 milhões e refugiados vivem em barracas, ou no país vizinho, Chade dependendo da ajuda humanitária internacional. Estima-se que 200 mil pessoas já foram mortas no conflito, o maior genocídio deste novo século
O Sudão está em guerra civil há 20 anos. O presidente Omar Bashir, que nega o genocídio, não permite que a ONU tome a frente das nengociações e paz entre o Governo e as facções rebeldes.
Entenda a crise
Darfur é uma província semi-árida, na região oeste do Sudão, maior país do continente africano. Sozinha, a região é maior do que o território francês.O país é dominado por uma população de origem árabe, enquanto em Darfur a composição é de origem centro-africana, na sua maioria nômades e de diversas etnias.
Existe tensão em Darfur há muitos anos por causa de território e direitos de pastagem entre os árabes majoritariamente nômades e os fazendeiros dos grupos étnicos de Fur, Massaleet e Zagawa.
Há dois grupos rebeldes - o Exército de Libertação do Sudão e o Movimento para Justiça e Igualdade, que foi vinculado ao político sudanês de oposição Hassan Al-Turabi, mas há divisões entre os próprios grupos por causa de questões étnicas. Milícias árabes pró-governo são acusadas de genocídio contra a população africana negra da região pelos Estados Unidos.
As hostilidade se iniciaram na região árida e pobre em meados de 2003, depois que um grupo rebelde começou a atacar alvos do governo, alegando que a região estava sendo negligenciada pelas autoridades sudanesas em Kartoum, segundo a rede inglesa, BBC.
A retaliação do governo veio na forma de uma campanha de repressão da região, e mais de 2 milhões de pessoas deixaram suas casas. Há relatos de intenso bombardeio de vilarejos por aviões da força aérea, seguidos por ataques das milícias Janjaweed, que são africanos muçulmanos de origem árabe.
Refugiados e observadores externos afirmam que há uma tentativa deliberada de se expulsar a população negra africana de Darfur.
O governo admite a existência de "milícias de auto-defesa", mas nega que tenha ligações com os Janjaweed e diz que as acusações são exageradas. Muitas mulheres dizem que foram raptadas pelos Janjaweed e mantidas como escravas sexuais por mais de uma semana antes de serem libertadas.
Forças de paz
A União Africana enviou 7 mil soldados para monitorar o cessar-fogo em Darfur, com o consentimento do Sudão. Mas, como s etrata de uma força muito pequena para acabar com a violência, e Estados Unidos e Grã-Bretanha pressionam a Organização das Nações Unidas a mandar tropas à região.
Apesar da União Africana ver a possibilidade com bons olhos, o governo sudanês afirma categoricamente que não permitirá a entrada de uma força de paz da ONU em seu território.
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