Conflitos Internacionais
Sudão
Após ser seqüestrado, jornalista é encontrado morto
O editor de um jornal sudanês que havia sido seqüestrado por um grupo de homens armados foi encontrado morto, informou o Ministério do Interior nesta quarta-feira (06).
Não foi imediatamente divulgado o local nem as circunstâncias em que o corpo foi encontrado.
Mohamed Taha havia sido preso no ano passado e seu jornal "Al Wifaq" havia sido fechado por três meses após a publicação de uma série de artigos que questionavam as origens do profeta Maomé, que são condenadas pelos grupos islamitas do Sudão.
"Sua família fez queixa dizendo que ele foi seqüestrado na noite passada por homens armados", disse uma fonte do Ministério do Interior.
Segundo a imprensa local, um grupo de homens forçou Taha a entrar em um carro em frente a sua casa, no norte de Cartum, e seguiu em direção ao centro da cidade.
Seqüestros de civis são comuns na região de Darfur, no oeste do Sudão, mas são raros na capital. Taha é aliado do governo sudanês, que tomou o poder após um golpe militar, em 1989.
O governo no norte do Sudão segue a sharia [lei islâmica], mas se opõe a alguns grupos islamitas. Segundo fontes ligadas à comunidade islâmica em Cartum, Taha foi protegido por soldados do governo enquanto esteve preso, porque o governo sudanês temia por sua vida.
Entenda o caso
A União Africana (UA) reafirmou sua decisão de deixar a região de Darfur, no oeste do Sudão, no final de setembro, quando termina seu mandato no país.
O anúncio da UA foi feito pouco depois depois de o governo do Sudão mudar de idéia e dizer que permitiria a permanência das forças da UA - mas apenas se estas tropas não fizessem parte de uma força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).
A UA quer que a ONU assuma a missão de paz na região, mas essa hipótese é rejeitada pelo governo sudanês.
A ONU pediu ao governo do Sudão que reconsidere sua posição e aceite a oferta.
Preocupação internacional
Segundo o porta-voz da ONU, Ahmed Fawzi, cresce a preocupação da comunidade internacional com o sofrimento da população em Darfur.
No domingo, o governo sudanês havia dito que iria pedir a retirada das forças de paz da UA, formada por cerca de sete mil soldados, quando seu mandato no país terminasse. Pediu também que a UA esclarecesse suas intenções.
"O Conselho de Paz e Segurança da UA reuniu-se hoje (segunda-feira) em Adis Abeba e decidiu reafirmar que seu mandato em Darfur terminará em 30 de setembro", afirmou o chefe da missão no Sudão, Baba Gana Kingibe, em uma conferência em Cartum.
Essa decisão veio em meio à preocupação em relação a uma nova ofensiva de tropas sudanesas na região, que já dura uma semana.
Confrontos entre milícias pró-governo e rebeldes que lutam por mais autonomia já deixaram centenas de milhares de pessoas mortas e milhões desalojadas desde 2003.
Questões políticas
As forças de paz da UA têm um mandato fraco, poucos recursos e um número insuficiente de homens para cobrir uma área do tamanho da França.
O vice-presidente da UA, Patrick Mazimhaka, disse à BBC que mesmo que mais dinheiro estivesse por vir, questões políticas tornam dífícil uma maior permanência das forças de paz da UA na região.
Sua declaração foi feita horas depois de o Sudão dizer que as tropas da UA poderiam permanecer se aceitassem financiamento do governo sudanês e da Liga Árabe.
Uma resolução da ONU na semana passada autorizou o envio de 17 mil soldados para substituir as tropas da UA, mas foi rejeitada por Cartum.
O governo sudanês disse que 10 mil homens seu próprio Exército iriam assumir a responsabilidade pela segurança em Darfur depois que as tropas da UA partissem.
Os Estados Unidos, entre outros países da ONU, rejeitam a proposta sudanesa e dizem que o governo do país não tem isenção suficiente para manter a paz na região.
No entanto, o correspondente da BBC no leste da África afirmou que o governo do Sudão já começou a reunir militares e equipamentos em Darfur.
Conspiração
O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, descreveu o pedido de envio de uma força de paz da ONU como "parte de uma grande conspiração para confiscar a soberania do país", segundo informou no domingo a agência de notícias Suna, do Sudão.
Novos soldados sudaneses estão chegando à região e grupos de direitos humanos, oficiais da UA e grupos rebeldes de Darfur afirmaram que, em 28 de agosto, uma nova ofensiva teve início, com informações de ataques em aldeias controladas por rebeldes.
O governo sudanês negou a ocorrência de ataques em aldeias, afirmando que tratam-se meramente de "operações administrativas".
Desde 2003
O conflito em Darfur teve início em 2003, quando milícias começaram a atacar alvos do governo como forma de protesto para o que diziam ser a negligência com a região e contra o suposto apoio do governo a grupos de origem árabe.
Grupos negros de origem centro-africana disputam o controle sobre a vasta região sudanesa com grupos de origem árabe, chamados de Janjaweed, há vários anos.
Após os ataques de 2003, grupos negros disseram que o governo central apoiou ataques dos Janjaweeds contra suas aldeias, no que, segundo eles, seria uma tentativa de limpeza étnica.
A força da União Africana que está hoje na região foi enviada para tentar parar com o conflito, embora com um mandato limitado e com poucos recursos.
Na semana passada, o coordenador de ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland, alertou que "uma catástrofe provocada pelo homem e de escala sem precedentes" estava próxima de Darfur, a não ser que o Conselho de Segurança da ONU agisse imediatamente.
Analistas, no entanto, dizem que enviar uma força de paz da ONU para a região sem o consentimento de Cartum será uma tarefa impossível - e agora restam poucas opções.
Fontes:http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u99816.shtmlhttp://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/09/060904_sudaouniaoafricana_ale.shtml Fontes:http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u99816.shtmlhttp://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2006/09/060904_sudaouniaoafricana_ale.shtml
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