Wednesday, June 07, 2006


A quem serve?

Presidente Peruano diz que Chávez desintegra América Latina

O presidente peruano Alejandro Toledo acredita que seu colega venezuelano, Hugo Chávez, dificulta a integração latino-americana. "É muito curioso que o presidente Chávez seja do país de um líder integrador, como Bolívar, mas trate de desintegrar a América Latina, intrometendo-se nos assuntos internos (dos demais países)", disse Toledo, em entrevista exclusiva à BBC Brasil, em seu gabinete presidencial, em Lima, nesta terça-feira.
Toledo disse que seu país vai intensificar o eixo latino-americano com o Brasil, Argentina e Chile, depois da eleição, no último domingo, de seu sucessor na Presidência, Alan García.
"Acho que esse é o nexo mais sério e responsável (da região)", disse. "Acho que o presidente Lula, por exemplo, administra a integração da América Latina com responsabilidade", afirmou.
Na entrevista exclusiva, Toledo insinuou que esse "eixo" vai se opor ao estilo "populista e de intervenção" do presidente venezuelano, Hugo Chávez.
"Eu sou um defensor veemente da integração, mas sou um guerreiro contra a intervenção. Não permito isso ao presidente Chávez e lhe disse isso. Achei muito ruim quando ele disse que romperia relações com o Peru se vencesse o outro candidato (García)", disse.
Durante a campanha eleitoral, Chávez pediu votos para o então presidenciável Ollanta Humala e disse que seu governo iria romper relações com o Peru, caso García fosse eleito. Para Toledo, teria sido "um desastre" se Humala tivesse chegado à presidência.
E quando respondia sobre Humala, o presidente aproveitou para fazer nova crítica a Chávez: "É um grave erro esse populismo barato dos que acreditam que com ´petrodólares´ podem eliminar a pobreza. Sai muito caro para os pobres".
Segundo Toledo, a América Latina precisa de governos "socialmente responsáveis", que entendam que o crescimento econômico seja apenas um instrumento para melhorar o social. O presidente, que entrega o cargo ao sucessor no dia 28 de julho, reconheceu que é preciso estar "muito atento” aos votos dados à Humala em quinze dos vinte e cinco departamentos do país.
"É um grito que deve ser ouvido. É preciso prestar atenção e, principalmente, nos departamentos mais pobres".

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