Friday, June 09, 2006


MEIO AMBIENTE - INTERNACIONAL

Barão holandês de madeira é condenado

O barão da madeira holandês Gogós van Kouwenhoveno foi condenado no dia 07 de junho, por desrespeitar um embargo das Nações Unidas à Libéria
Kouwenhoven dirigiu as duas maiores madeireiras da Libéria – a Companhia de Madeira Oriental (OTC, em inglês) e a Corporação Real de Madeira (RTC) - durante o antigo regime do líder militar Charles Taylor e negociou a denominada “madeira de conflito” com companhias européias e chinesas com o objetivo de fornecer armamentos para a guerra de Taylor contra a população da Libéria. Uma guerra que custou mais de 250 mil vidas. No ano passado, Kouwenhoven, que já foi considerado responsável pelos aspectos logísticos de muitas negociações de armamentos, foi detido pela polícia holandesa e teve suas atividades empresariais na África investigadas.
Entre 2000 e 2003, o Greenpeace desvendou e denunciou alguns dos principais compradores de madeira das duas companhias de Kouwenhoven. Dentre elas incluíam-se o grupo suíço-alemão Danzer; a multinacional dinamarquesa DLH Nordisk (através da Indubois, na França); a madeireira e importadora holandesa Wiima; a produtora de compensados e pisos de madeira Shelman, baseada na Grécia; o grupo madeireiro e processador alemão Feldmeyer; e o produtor italiano de trilhos de trem Tecnoalp.
“Os grandes comerciantes de madeira da Europa que simplesmente se recusaram a, naquela época, parar de negociar com as companhias de Kouwenhoven deveriam, agora, compactuar da sentença dele”, afirmou o coordenador da campanha de Florestas do Greenpeace na África, Stephan Van Praet, em The Hague. “Se estas pessoas tivessem tido um pingo de consciência, a morte de milhares de pessoas inocentes e a destruição da floresta tropical da Libéria teria sido evitada”, complementa ele.
Somente depois de 7 de julho de 2003, quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs sanções à madeira da Libéria, o comércio de madeira entre Kouwenhoven e o mercado europeu foi encerrado. Os governos da França e da China tinham, anteriormente, impedido a inclusão de sanções madeireiras, permitindo que Kouwenhoven prolongasse suas atividades por mais três anos.
Contudo, em 2004, o Greenpeace descobriu que o grupo suíço-alemão Danzer continuava a financiar as atividades empresariais de Kouwenhoven na África. E apesar de estar impedido de viajar pelo Conselho de Segurança da ONU, ele fugiu da Libéria e estava diretamente envolvido com as operações logísticas e financeiras da Afribois, uma companhia madeireira baseada em Congo-Brazzaville.
“O caso Kouwenhoven ilustra que o mercado internacional de madeira continua incapaz de se auto-regular. A ausência de uma legislação internacional sobre a importação de madeira ilegal ou madeira de conflito contribuiu para este horroroso exemplo de exploração destrutiva de um recurso natural, alimentando a guerra civil e seus crimes relacionados contra a humanidade. Os governos precisam impedir o comércio de madeira de conflito ou ilegal imediatamente”, avalia Van Praet.
Atualmente, madeira originária de países florestais propensos a ter conflitos, como Burma, Costa do Marfim e a República Democrática do Congo, continua a ser livremente comercializada no mercado internacional. O Greenpeace reivindica uma legislação que impeça a importação de madeira de conflito e ilegal pelo mercado europeu e que garanta que as companhias européias e, por fim, os consumidores europeus, não estimulem crimes contra a humanidade e o meio ambiente.
Mais em www.greenpeace.org.br

No comments: