Tuesday, October 31, 2006


Cerca de 820 milhões no mundo não têm o que comer
Erradicação da fome pode virar um fracasso, alerta FAO

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou que o número dos que passam fome no mundo aumenta a cada ano em 4 milhões de pessoas.
Segundo a FAO, cerca de 820 milhões não têm o que comer apesar da promessa de líderes mundiais de erradicar a fome pela metade até 2015.
O diretor-geral da organização, Jacques Diouf, disse que é necessário mudar a abordagem atual para política mais eficiente.
Diouf disse ainda que o comércio mundial tem que funcionar a favor dos pobres, além de aumentar a contribuição paga pelos países ricos aos pobres, a chamada Assistência Oficial ao Desenvolvimento, que é de 0,7% do Produto Interno Bruto.
Segundo a FAO, em 2015, o mundo deverá ter quase 600 milhões de pessoas com fome. Mais da metade desse total será concentrada no sul e no leste da Ásia seguidos pela África Subsaariana.
Crise de emprego golpeia os jovens em todo o mundo

Milhões de jovens têm trabalho mas vida é pobre e difícil

O número de jovens entre 15 e 24 anos que estão desempregados aumentou durante a última década, enquanto que outras centenas de milhões têm trabalho mas ainda assim vivem em condições de pobreza, diz um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) 1/.
Entre 1995 e 2005 o número de jovens desempregados aumentou de 74 a 85 milhões, um incremento de 14,8 por cento. O relatório acrescente que cerca de 25 por cento da população juvenil, ou seja cerca de 300 milhões de pessoas, vivem abaixo da linha de pobreza de 2 dólares diários.
A OIT estima que serão necessários 400 milhões de empregos decentes e produtivos, ou seja, mais e melhores trabalhos, para aproveitar ao máximo o potencial da juventude atual. 2/. Segundo o relatório, a possibilidade de que um jovem esteja desempregado é o triplo da de um adulto. O texto destaca que as desvantagens relativas enfrentadas pelos jovens são maiores no mundo em desenvolvimento onde representam uma parcela maior da força laboral do que nos países industrializados.
"A incapacidade das economias para criar empregos decentes e produtivos apesar do incremento no crescimento econômico está golpeando com força os jovens do mundo", disse o Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia. "Além de gerar um déficit de oportunidades de trabalho decente e altos níveis de incerteza econômica, esta preocupante tendência ameaça as perspectivas econômicas de um dos nossos principais recursos, nossas mulheres e homens jovens".
O relatório destaca que no mundo do trabalho atual a juventude enfrenta importantes vulnerabilidades e alerta que a falta de trabalho decente, quando ocorre muito cedo, pode comprometer de forma permanente as possibilidades futuras de emprego. Destaca que é urgente responder ao chamado da ONU para desenvolver estratégias que dêem aos jovens a oportunidade de maximizar seu potencial produtivo através de empregos dignos.

O relatório
Um de cada três integrantes da população juvenil mundial de 1,1 bilhão de pessoas entre 15 e 24 anos está buscando trabalho sem êxito, abandonaram essa busca completamente ou está empregado mas vive com menos de dois dólares diários.
A população juvenil cresceu 13,2 por cento entre 1995 e 2005. No entanto, a disponibilidade de empregos para este segmento da população aumentou somente 3,8 por cento até alcançar 548 milhões.
Os jovens desempregados representam 44 por cento do total de desempregados no mundo, apesar de sua participação na população em idade de trabalhar ser de apenas 25 por cento.
A taxa de desemprego juvenil foi muito mais alta que a do desemprego adulto de 4,6 por cento em 2005, depois de ter um aumento de 12,5 por cento em 1995 3/ e de 13,5 por cento no ano passado.
"A juventude ociosa custa muito", diz o relatório, notando que a impossibilidade de encontrar um emprego gera uma sensação de vulnerabilidade, inutilidade. Existem custos para a juventude, mas também para as economia e as sociedades, em termos de diminuição de poupanças, perdas de demanda agregada, diminuição de investimentos e custos sociais como os que se requerem para serviços de prevenção do crime ou do uso de drogas.
"Tudo isso afeta a capacidade de desenvolvimento das economia", disse Somavia. "Neste momento estamos desperdiçando em potencial econômico uma grande parte da população, em especial nos países em desenvolvimento que são os que menos podem permitir isso. Por isso, os países devem concentrar-se nos jovens".

CRISE
A taxa de desemprego juvenil mais elevada foi registrada na região do Oriente Médio e África do Norte, com 25,7 por cento. Europa central e o Leste Europeu (fora da União Européia) e a CEI têm a segunda taxa mais alta com 19,9 por cento. A taxa da África subsaariana foi de 18,1 por cento, seguida da América Latina e Caribe com 16,6 por cento, Sudeste Asiático e Pacífico com 15,8 por cento, as economias industrializadas e a União Européia com 13,1 por cento, Ásia Meridional com 10 por cento e Ásia Oriental com 7,8 por cento.
A região das economias industrializadas e a União Européia foi a única que teve uma queda considerável do desemprego juvenil nos últimos dez anos. Esta mudança foi atribuída à menor participação dos jovens na força de trabalho, mais do que a estratégias de emprego exitosas.
Os desafios são ainda maiores no caso das mulheres jovens, já que é muito menos frequente que estejam trabalhando ou buscando emprego. A diferença de participação na força de trabalho que existe entre homens e mulheres jovens é maior no mundo em desenvolvimento. Por exemplo, existem 35 pontos percentuais de diferença na Ásia Meridional, 29 no Oriente Médio e África do Norte, 19 na América Latina e 16 tanto no Sudeste Asiático e Pacífico bem como na África subsaariana. Esta diferença é produzida por tradições culturais, falta de oportunidades para que mulheres jovens possam combinar o trabalho com as tarefas domésticas e a tendências dos mercados laborais a descartarem das mulheres mais rápido do que dos homens quando diminuem os postos de trabalho.
Ao mesmo tempo, a disponibilidade de um emprego já não representa uma garantia de sustentabilidade econômica para os jovens. A pobreza é persistente entre cerca de 56 por cento dos jovens trabalhadores, os quais, além disso, enfrentam a possibilidade de ter jornadas extensas, contratos temporários ou informais, baixos salários, proteção social escassa ou inexistente, mínima capacitação e falta de voz no trabalho. Está claro que existe uma diferença entre ter um trabalho e ter um trabalho decente.
O relatório também registra um "preocupante" aumento no número de jovens que não trabalham nem estudam. Usando a limitada informação que existe sobre este tema nos países, estima que 34 por cento dos jovens na Europa central e do Leste não trabalham nem estudam. A taxa detectada foi de 27 por cento para a África subsaariana, 21 por cento na América Central e do Sul, e 13 por cento nas economias industrializadas e na União Européia.

DADOS
Além de identificar os principais desafios relacionados com o emprego dos jovens, o relatório tenta esclarecer alguns mal-entendidos frequentes relacionados com este tema e nota que o acesso à educação continua sendo um problema para muitos jovens e o analfabetismo ainda é um desafio importante em muitos países em desenvolvimento.
Alcançar maior graduação educacional não garante o caminho até o trabalho para os jovens, especialmente quando se fala de trabalho decente.
Quando o crescimento econômico é escasso ou quando não repercute na criação de empregos, a segurança laboral costuma ser mais importante para os jovens que a satisfação laboral.
As taxas de desemprego juvenil somente deixam exposta a ponta do iceberg dos problemas que os jovens enfrentam no mercado laboral e não oferecem uma imagem completa dos desafios pendentes. Existem dois grupos maiores que os desempregados: os jovens desalentados e os jovens que trabalham mas são pobres.
Os jovens não foram um grupo homogêneo. Portanto, são justificadas as intervenções que apontam a superação das desvantagens que experimentam grupos específicos em sua entrada e permanência no mercado laboral.
O setor agrícola e as áreas rurais ainda geram mais de 40 por cento do emprego no mundo e são a principal fonte de trabalho em diversas regiões. Apesar da crescente migração para as cidades, a geração de empregos em áreas rurais continua sendo relevante para as estratégias de emprego juvenil e para as de redução da pobreza. A melhoria dos salários e a redução da pobreza em setores rurais contribuirá para conter a migração de jovens para as grandes cidades, que já estão congestionadas.
O relatório destaca que quando a primeira experiência de uma pessoa jovem no mercado laboral é um grande desemprego, o mais provável é que continue afetado por períodos de falta de trabalho alternadas com empregos mal pagos. É necessário desenvolver políticas e programas nacionais integrais, respaldas por ajuda internacional que apontem de forma direta a ajudar os jovens mais vulneráveis e reincorporá-los em uma sociedade civil que pode beneficiar-se de sua participação.
"É um princípio inegável, reconhecido pela ONU e outras organizações internacionais e governos, o fato de que soment através de oportunidades de trabalho decente os jovens poderão sair por si mesmos da pobreza", disse Somavia. "As estratégias de emprego juvenil são uma contribuição chave para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio". Fonte: FAO
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Thursday, October 12, 2006


Oito milhões de crianças vivem em instituições

Problemas familiares, algum tipo de deficiência ou pobreza. Estes são os principais motivos que levam mais de oito milhões de crianças a viverem em instituições no mundo. Muitas estão sujeitas a sofrer violência por parte das pessoas que deveriam se responsabilizar por elas.Sob a desculpa de disciplina, profissionais que trabalham nessas instituições agridem as crianças com as mãos, paus e até mangueiras. Há casos em que essas pessoas batem a cabeça das crianças contra a parede e situações em que as crianças são imobilizadas dentro de sacos plásticos.
As conclusões do estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) também mostra que um milhão de crianças está detida por autoridades no mundo. Grande parte delas praticou algum crime pela primeira vez, na maioria das vezes, são crimes de pequeno potencial ofensivo.
Há casos em que as crianças são culpadas por coisas como não ir à escola ou por fazerem parte de grupos de sem-teto.
Para a oficial de projetos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Helena Oliveira, as autoridades não podem partir da premissa de que crianças detidas em estabelecimentos prisionais são violentas.
Castigos corporais são autorizados em pelo menos 77 países onde há estabelecimentos prisionais para crianças. Na maioria das vezes, de acordo com o estudo da ONU, elas são agredidas com varas. Há situações em que a violência foi usada como recurso para obter algum tipo de confissão durante interrogatórios.
Em relação à violência sexual, as meninas são as que correm maior risco em centros de detenção, principalmente quando são supervisionadas por pessoas do sexo masculino.Para evitar essas situações, a ONU recomenda que sejam privilegiadas iniciativas de preservação da família.
Caso a criança precise de cuidados fora de casa, alternativas familiares ou comunitárias devem ser adotadas pelo Estado para que a institucionalização seja usada de forma limitada e somente quando apropriada para a criança.
Outra recomendação é a descriminalização de delitos considerados como tal quando cometidos por crianças, como o absentismo escolar ou fugas de casa, bem como nos casos de comportamentos como a mendicância ou a vagabundagem. Com informações da UNICEF

Para muitas crianças, escola é lugar de violência, diz estudo da ONU
Quanto maior a desigualdade socioeconômica, maior é a violência

Apesar de as instituições de ensino desempenharem um papel importante na proteção das crianças, para algumas delas, a escola é um local de constante violência.No estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado noo último dia 11 mostra que muitas crianças são vítimas de agressões físicas, formas humilhantes de punição psicológica e intimidação dentro das escolas.
Castigos corporais também são comuns, embora a legislação de 106 países proibam essa prática.O levantamento mostra que o tipo mais comum de violência contra as crianças é o acosso. Ou seja, a perseguição pelos próprios colegas, o que pode causar grande sofrimento físico ou psicológico. Essa questão está associada à discriminação contra crianças de famílias pobres ou a crianças que convivem com algum tipo de violência.“Quanto maior a desigualdade socioeconômica, maior é a violência em relação a comunidades populares, populações nos espaços de periferia, famílias, adolescentes e às próprias crianças”, afirmou a oficial de projetos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Helena Oliveira.
O estudo também mostra que as meninas são as maiores vítimas de violência sexual praticada por professores ou por condiscípulos do sexo masculino. Segundo o estudo, isso só acontece porque o Estado é incapaz de fazer cumprir as leis anti-discriminação.utro dado levantado é que a violência normalmente é dirigida a jovens homossexuais, lésbicas bissexuais e transexuais.Para acabar com essa situação, a ONU recomenda que sejam adotadas leis para proibir castigos corporais nas escolas e estabelecimentos de ensino, além da adoção de mecanismos seguros para que as crianças a suas famílias possam denunciar atos de violência a que são submetidos.
O organismo internacional recomenda, ainda, o uso de estratégias pedagógicas não-violentas e adoção de medidas disciplinares que não sejam calcadas no medo ou na força física.A pesquisa é baseada em relatórios enviados pelos países membros da ONU - dentre eles, o Brasil - e nas respostas de consultas feitas pelo Unicef.
O documento analisa vários tipos de violência que ocorrem ao longo da vida da criança, dos primeiros meses de vida até os 18 anos, bem como os ambientes em que a violência física, psicológica ou sexual é cometida.O estudo foi coordenado pelo especialista independente brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, doutor em Ciência Política e diretor do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP).
O documento foi produzido com o apoio do Unicef, da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Alto Comissariado para os Direitos Humanos e demais agências da ONU. Com informações da Agência Brasil
Violência contra criança atinge todas as classes


O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, apresentou no dia 11 de outubro, à Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque, o Estudo das Nações Unidas sobre a Violência contra Crianças, realizado pelo especialista independente brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, doutor em Ciência Política e diretor do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.
O documento é o primeiro estudo abrangente e global das Nações Unidas sobre as formas de violência contra a criança e o adolescente e os ambientes em que essas agressões são cometidas. O estudo mostra que a violência contra a infância acontece em todos os países e está presente em todas as culturas, faixa de renda, níveis de escolaridades e grupos étnicos.
Ele ressalta que nenhum tipo de violência contra crianças é justificável e que todas as formas de agressão devem ser prevenidas. Também apresenta 12 recomendações aos países, para que implementem políticas e ações de enfrentamento à violência contra meninos e meninas.
“As agressões deixam graves seqüelas físicas e psicológicas nas crianças e nos adolescentes, podendo comprometer todo o seu desenvolvimento. Não podemos permitir nenhuma forma de violência contra nossos meninos e meninas. Protegê-los é papel de cada um de nós, das famílias, do Estado e da sociedade”, afirma a embaixadora do UNICEF no Brasil, Daniela Mercury. Fonte: UNICEF

Saturday, October 07, 2006

Menos Miséria
Combate à fome na América Latina ganha força com adesão de programa brasileiro
Medida pretende erradicar a a fome da região até 2025

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, anunciou na sexta-feira (06), na sua sede regional em Santiago do Chile, que usará o programa alimentar brasileiro ‘Cozinha Brasil’ como base para uma iniciativa de combate à fome na América Latina e no Caribe.
O representante regional da FAO, José Graziano da Silva, disse à Rádio ONU, de Santiago do Chile, que a iniciativa pretende ainda combater o desperdício de alimentos.“O Brasil por exemplo desperdiça cerca de 26 milhões de toneladas de alimentos por ano, o que daria para alimentar 35 milhões de pessoas. Esse desperdício, em parte, não é só na mesa, não é só por parte do consumidor. É um desperdício, que em grande parte, vem desde a hora que se colhe e armazena. Esse são temas sobre os quais a FAO está se debruçando para minimizar as perdas que nós chamamos de pós-colheita”, disse.José Graziano da Silva deu um exemplo prático da falta de reaproveitamento de verduras.“A couve-flor é uma prima da couve, é uma parente, é um crucífera e a folha da couve-flor é igualzinha à folha de couve, tem os mesmos componentes nutricional e proteico, se faz do mesmo jeito. Entretanto, nós jogamos praticamente 50%, metade de uma cabeça, de couve-flor fora para no outro dia comprar a mesma folha de couve”, afirmou.
O presidente do Serviço Social da Indústria do Brasil, Jair Antônio Meneguelli, disse que a iniciativa também conta com o apoio de escolas e universidades.“Nós estamos estudando já na universidade agora, por exemplo, receitas para os diabéticos porque também é um problema grande no Brasil. Vou dar outro exemplo, que é fantástico. O caju no Brasil, apanha-se, aproveita-se a castanha do caju para exportar e se jogam fora 14 milhões de toneladas de caju todos os anos”, concluiu.
A parceria do programa brasileiro com a FAO faz parte da iniciativa América Latina e Caribe sem Fome. A medida pretende erradicar a fome da região até o ano 2025. Fonte: http://www.un.org/av/radio/portuguese/story.asp?NewsID=1273

Wednesday, October 04, 2006

IRLANDA DO NORTE

CONFLITOS
IRA não quer violência

O IRA (Exército Republicano Irlandês), mudou radicalmente o seu comportamento e teve algumas estruturas dentro da organização desmanteladas, segundo um relatório feito pela Comissão de Monitoramento Independente (IMC).
O governo espera que o relatório da IMC ajude a restaurar o processo de devolução do poder para uma assembléia norte-irlandesa antes mesmo do prazo final de 24 de novembro.
Este foi o relatório mais positivo da comissão sobre as atividades do IRA.
Segundo o documento, o Exército Republicano Irlandês não quer voltar a cometer atos de violência nem tem capacidade de fazer uma campanha do tipo.
A IMC é uma comissão criada pelos governos da Grã-Bretanha e da Irlanda, e tem como função o monitoramento das atividades paramilitares na Irlanda do Norte e também do processo de 'normalização' das medidas de segurança na província.
Evolução
Segundo o documento, a organização irlandesa tomou medidas concretas para diminuir seu poder paramilitar, desmantelou estruturas, incluindo quartéis generais e departamentos responsáveis por fornecimento de engenharia, treinamento e recrutamento.
“O relatório não quer dizer que o IRA não tenha mais nenhum tipo de atividade paramilitar, mas sua liderança fez declarações públicas e deu determinações internas, investigou incidentes de desrespeito às normas e até expulsou membros para mostrar como é importante que os assuntos da organização fiquem dentro da legalidade”, disse John Alderdice, da IMC, que apresentou o estudo.
O documento da IMC também afirma que não houve nenhum tiroteio ou “punição” nos últimos seis meses, embora tenham acontecido dois incidentes isolados, não autorizados pelo IRA.
O secretário da Irlanda do Norte, Peter Hain, disse que agora cabia aos políticos fazer a parte deles.
SOBRE O IRA
O Exército Republicano Irlandês, mais conhecido como IRA (do inglês Irish Republican Army), é um grupo paramilitar católico que intenciona que a Irlanda do Norte separe-se do Reino Unido e seja reanexada à República da Irlanda. Utiliza-se como métodos, ataques à bomba e emboscadas com armas de fogo. Tem como alvos tradicionais os protestantes, políticos unionistas e representantes do governo britânico.
O IRA tem ligações com outros grupos nacionalistas irlandeses e um braço político: o partido nacionalista Sinn Fein.
Em 28 de Julho de 2005, o IRA anuncia o fim da "luta armada" e a entrega de armas. O processo de entrega de armas terminou em 26 de Setembro de 2005. Todo o processo de desmatelação do armamento, foi orientado pelo chefe da Comissão Internacional de Desarmamento, o general canadense John de Chastelain.

ORIENTE MÉDIO
Tanto Hezbollah como Israel cometeram violações no Líbano, diz ONU
Um grupo de relatores especiais das Nações Unidas afirmou nesta quarta-feira (04) em Genebra que tropas de Israel e militantes do Hezbollah praticaram violações durante o conflito no Líbano em julho. O estudo conclui que violações sérias de direitos humanos e das leis humanitárias foram cometidas por Israel, que fracassou várias vezes em diferenciar alvos civis de militares.
Segundo os relatores, Philip Alston, Paul Hunt, Walter Kaelin e Millon Kothari, o movimento islâmico Hezbollah também violou as leis humanitárias várias vezes ao alvejar a população civil. A missão que apurou as violações de direitos humanos atuou entre 7 e 14 de setembro.
CRIMES DE GUERRA
Os relatores pedem ao Conselho de Direitos Humanos que conduza uma investigação para saber se os ataques do Hezbollah às cidades do norte de Israel constituem crimes de guerra. E pede a Israel que forneça urgentemente detalhes sobre munições, como por exemplo bombas de fragmentação, usadas durante o conflito e que impediram o retorno de civis ao sul do Líbano.
BOMBAS DE FRAGMENTAÇÃO
De acordo com a ONU, Israel despejou pelo menos 350 mil explosivos dentro de bombas de fragmentação sobre o sul do Líbano na guerra contra o Hizbollah, a maioria deles nos últimos dias do conflito, quando a trégua já estava acertada, disse na terça-feira David Shearer, coordenador da Organização das Nações Unidas no Líbano. O legado dessas bombas para os civis libaneses é mortífero, disse ele.
"O vergonhoso é que quase todas essas munições foram lançadas nos últimos três ou quatro dias de guerra", afirmou ele numa entrevista coletiva em Beirute. "Revoltante porque, naquele ponto, o conflito já havia sido resolvido pela Resolução 1701 (do Conselho de Segurança da ONU)", acrescentou.
A resolução, aprovada no dia 11 de agosto, interrompeu a guerra efetivamente três dias depois, após 34 dias de conflito. Israel nega que tenha usado de forma ilegal as bombas de fragmentação. Shearer disse que Israel não explicou por que lançou tantas bombas de fragmentação no sul do Líbano se a guerra já estava acabando. Nem respondeu ao pedido da ONU para que fornecesse coordenadas dos ataques com esse tipo de bomba para acelerar o trabalho de limpeza.
O coordenador dos serviços de emergência da ONU, Jan Egeland, já chamou Israel de "completamente imoral" por ter usado as bombas de fragmentação em áreas residenciais.
Até agora a ONU identificou 516 locais que foram alvo desse tipo de ataque, e afirma que de 30 a 40 por cento das minibombas espalhadas pelas bombas maiores não explodiram no momento do ataque.
Por enquanto, apenas cerca de 17 mil dispositivos foram desarmados, e a ONU diz que pode levar dois anos e meio para destruir a maior parte das submunições não-detonadas. O grupo LandMine Action já afirmou que pode levar uma década para eliminar os explosivos do sul do Líbano.