Estratégia
Presença militar norte-americana na América do Sul
Combater o narcotráfico. É com esta justificativa que os EUA explicam sua presença militar na América do Sul. Um estudo militar brasileiro fornece detalhes sobre a localização dos militares norte-americanos na região. O trabalho, apresentado em 2002 na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro, questiona se "o verdadeiro cinturão de forças em torno das fronteiras brasileiras, particularmente na área amazônica, seria utilizado para outros fins, ainda não declarados".
O professor aposentado da Universidade de Brasília Luiz Alberto Moniz Bandeira, que há mais de 50 anos tem os Estados Unidos como objeto de estudo, vê com preocupação a presença norte-americana na região. "As bases permitem a manutenção de grandes orçamentos para o Pentágono. Por causa da indústria bélica, eles precisam gastar seus equipamentos militares para novas encomendas. É um círculo vicioso", explica.
Área estratégica
Há muito tempo a América do Sul tem sido uma área estratégica para os Estados Unidos, o que levou os norte-americanos a trazerem militares na região. Exemplo maior talvez tenha sido a Doutrina Monroe, aprovada pelo Congresso norte-americano em 1823.
Surgida como forma de impedir a recolonização européia da América, com o tempo serviu para o intervencionismo norte-americano em diversos países, e prolongou até mesmo durante a guerra fria, quando foi reutilizada pelo presidente John Kennedy (1962) para justificar a luta contra o comunismo na região, especificamente contra Cuba.
Surgida como forma de impedir a recolonização européia da América, com o tempo serviu para o intervencionismo norte-americano em diversos países, e prolongou até mesmo durante a guerra fria, quando foi reutilizada pelo presidente John Kennedy (1962) para justificar a luta contra o comunismo na região, especificamente contra Cuba.
Órgão de estudo
Os EUA desenvolveram organismos militares e sistemas de influência na região, para "prevenir "instabilidades" na América do Sul que ameacem seus interesses. Para isso, os EUA desenvolveram organismos militares e sistemas de influência na região, como, por exemplo, o organismo chamado Comando Sul (Southern Command, em inglês).
O estudo militar afirma ainda que "o instrumento utilizado pelos EUA para minimizar ameaças à estabilidade regional será um misto de uso da força com ações diplomáticas, políticas e/ou econômicas".Cerca de 850 oficiais e 130 civis trabalham no Comando Sul, que fica em Miami, no estado norte-americano da Flórida.
Entre os aspectos privilegiados pelos Estados Unidos estão obter e manter bases militares para dar apoio a operações militares, reforçar ações de combate ao narcotráfico e formar uma rede de instalações militares em todos os países. Essa rede trabalharia, segundo o estudo, para formar uma "rede de confiança" local, ajudando na construção de estradas, escolas, aeroportos e hospitais.Sob o controle do Comando Sul existem três Localidades de Operações Avançadas (FOL, na sigla em inglês) na América. Uma delas em Manta, no Equador, outra em Aruba/Curaçao e a última em Comalapa, em El Salvador.
O argumento americano é a necessidade da presença contínua para o combate ao narcotráfico.Segundo o estudo do Exército, "com a operação das FOL, os EUA têm atendida a estratégia de manter a presença e o monitoramento do espaço aéreo na América Latina e no Caribe, incluindo parte do território brasileiro, particularmente a região amazônica".




















