
Timor Leste
Termina missão brasileira
Ex-colônia portuguesa vive sua pior crise desde que se tornou independente da Indonésia, em 2002
Uma missão do governo brasileiro concluiu nesta quarta-feira (05) uma visita de cinco dias ao Timor Leste, cujo objetivo foi demonstrar a atenção e o interesse de Brasília nas relações bilaterais, disse hoje à Agência Lusa o subsecretário para a África, Ásia e Oceania do Itamaraty, Pedro Motta.Segundo o diplomata, a missão incluiu representantes dos ministérios da Defesa e da Educação e foi realizada após o envio de uma carta, em 30 de maio, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seu colega timorense, Xanana Gusmão.
Na carta, Lula manifestou "a disposição de prosseguir a cooperação bilateral e eventualmente fazer os ajustes necessários em função da crise (timorense)". "Viemos aqui marcar a nossa presença. O Brasil considera um fato político importante demonstrar a atenção que dedicamos ao Timor Leste", acrescentou Motta.
Nesses cinco dias, a missão brasileira se reuniu com Xanana Gusmão, com o ministro das Relações Exteriores e da Defesa, José Ramos Horta, a ministra da Administração Estatal, Ana Pessoa, e os comandantes militares da Forças de Defesa do Timor Leste. Além disso, se encontrou com os representantes das Nações Unidas, Sukehiro Hasegawa e Ian Martin.Sobre a futura missão da ONU no Timor, Pedro Motta destacou a importância da presença da organização e do reforço da presença policial internacional. "Temos interesse e vamos examinar de forma muito positiva a participação do Brasil nessa nova missão.
Existe um consenso, entre a comunidade internacional e também entre as autoridades timorenses, para que a futura missão tenha uma componente policial adequada", disse."O governo brasileiro vai defender uma participação da ONU no processo de reestruturação e construção do Estado no Timor Leste e também na estabilização da vida social e política", concluiu.A ex-colônia portuguesa vive sua pior crise desde que se tornou independente da Indonésia, em 2002. No final de abril, cerca de 600 militares exonerados realizaram violentos protestos em Díli, em que pelo menos cinco pessoas morreram. Em maio, a violência foi retomada na cidade, envolvendo grupos de civis e deixando mais de 20 mortos e 130 mil deslocados internos.
A pedido das autoridades timorenses, militares e policiais de Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia foram enviados ao país para estabilizar a situação.Na semana passada, a crise teve mais um capítulo. Acusado de distribuir armas a civis para eliminar adversários políticos, o primeiro-ministro Mari Alkatiri renunciou, atendendo a exigências de Xanana Gusmão. Devido à crise, a atual missão da ONU no Timor, que acabaria em 19 de maio, foi prorrogada até 20 de agosto. As autoridades timorenses pediram o envio de uma nova missão, com um braço militar e policial, mas o secretário-geral Kofi Annan afirmou que isso não acontecerá este ano. (Lusa)
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