
Amazonia: retomada do desmatamento ja era esperado, diz Greenpeace
A retomada do desmatamento na Amazônia anunciada ontem mostra fragilidades estruturais que sempre estiveram presentes, mas que foram mascaradas por três anos sucessivos de quedas no desmatamento e baixos preços de commodities agrícolas. afirma o Greenpeace.
São Paulo, 24 de janeiro de 2008 – Não foi por falta de aviso. Após três anos em queda, a taxa de desmatamento da Amazônia voltou a crescer no segundo semestre de 2007, como alertava o Greenpeace.
A retomada da destruição da floresta está ligada ao aumento dos preços internacionais de soja, milho e carne e à falta de adoção de medidas estruturantes para neutralizar a expansão da fronteira agrícola sobre a Amazônia, previstas no Plano Nacional de Controle e Combate ao Desmatamento do governo Lula. Em vez disso, medidas adotadas pelo próprio governo – como a descentralização da fiscalização sem que estados estivessem aparelhados para tal e a ampliação de assentamentos em áreas de florestas – ajudaram atiçar uma fogueira acesa pela pressão econômica.
Os dados divulgados ontem pelo Deter, sistema de detecção de desmatamento em tempo real, do INPE, mostram o desmatamento de uma área de 3.235 km2 de floresta amazônica entre agosto e dezembro de 2007. O Deter é um sistema ágil, porém impreciso, que não foi concebido para medir área desmatada, mas para alertar o governo a agir. Ele identifica aproximadamente 40% do desmatamento real. Uma projeção usando os dados do Deter mostra que pelo menos 7 mil km2 de floresta foram destruídos no segundo semestre de 2007. O segundo semestre, principalmente na época de chuvas na Amazônia, normalmente é um período de menor desmatamento.
“A área de 7000 km já desmatada será somada ao que será desmatado no primeiro semestre de 2008 para compor o número final do desmatamento 2007-2008. Se o governo não agir de forma dura e imediata, a próxima taxa de desmatamento anual será um desastre”, diz Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia, do Greenpeace.
Os números mensais de desmatamento estavam aumentando desde maio, empurrados pelo aumento nos preços das commodities agrícolas. “O governo poderia ter agido antes, quando os números estavam em baixa e a pressão sobre a floresta era menor. Agora, fica tudo mais difícil, principalmente porque 2008 é ano eleitoral, quando cai o apetite das autoridades em fiscalizar e punir”, completa.
A taxa de desmatamento da Amazônia, que vinha seguindo uma curva descendente desde 2005, tende a sair do controle se o governo não agir rápido”, disse Adario. Apesar dos esforços do governo em aumentar a governança na Amazônia, grande parte da redução do desmatamento esteve relacionada à baixa dos commodities agrícolas nos anos anteriores. Desde o ano passado, o aumento do consumo de soja na China e do cultivo de milho para a produção de biocombustíveis nos EUA levou a uma redução da área destinada ao cultivo de soja, elevando o preço do produto. “O desmatamento da Amazônia representa 70% das emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento global. O governo se comprometeu em Bali junto à comunidade internacional de adotar medidas concretas e monitoráveis para controlar o desmatamento. Está mais do que na hora de agir de forma consistente”, disse Adario.“Para resolver o problema, o Greenpeace exige que o governo atue prioritariamente nos municípios em que as taxas de destruição são elevadas e aplique duras punições a fazendeiros que desmataram ilegalmente, punindo também as empresas e comercializadoras de grãos e carnes que negociarem produtos provenientes de áreas recém desmatadas. É vital também que o governo implemente de forma adequada seu próprio plano de combate ao desmatamento e se comprometa em reduzir a zero o desmatamento até 2015, conforme proposto por várias ONGs, entre elas o Greenpeace”, completa Adario.
São Paulo, 24 de janeiro de 2008 – Não foi por falta de aviso. Após três anos em queda, a taxa de desmatamento da Amazônia voltou a crescer no segundo semestre de 2007, como alertava o Greenpeace.
A retomada da destruição da floresta está ligada ao aumento dos preços internacionais de soja, milho e carne e à falta de adoção de medidas estruturantes para neutralizar a expansão da fronteira agrícola sobre a Amazônia, previstas no Plano Nacional de Controle e Combate ao Desmatamento do governo Lula. Em vez disso, medidas adotadas pelo próprio governo – como a descentralização da fiscalização sem que estados estivessem aparelhados para tal e a ampliação de assentamentos em áreas de florestas – ajudaram atiçar uma fogueira acesa pela pressão econômica.
Os dados divulgados ontem pelo Deter, sistema de detecção de desmatamento em tempo real, do INPE, mostram o desmatamento de uma área de 3.235 km2 de floresta amazônica entre agosto e dezembro de 2007. O Deter é um sistema ágil, porém impreciso, que não foi concebido para medir área desmatada, mas para alertar o governo a agir. Ele identifica aproximadamente 40% do desmatamento real. Uma projeção usando os dados do Deter mostra que pelo menos 7 mil km2 de floresta foram destruídos no segundo semestre de 2007. O segundo semestre, principalmente na época de chuvas na Amazônia, normalmente é um período de menor desmatamento.
“A área de 7000 km já desmatada será somada ao que será desmatado no primeiro semestre de 2008 para compor o número final do desmatamento 2007-2008. Se o governo não agir de forma dura e imediata, a próxima taxa de desmatamento anual será um desastre”, diz Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia, do Greenpeace.
Os números mensais de desmatamento estavam aumentando desde maio, empurrados pelo aumento nos preços das commodities agrícolas. “O governo poderia ter agido antes, quando os números estavam em baixa e a pressão sobre a floresta era menor. Agora, fica tudo mais difícil, principalmente porque 2008 é ano eleitoral, quando cai o apetite das autoridades em fiscalizar e punir”, completa.
A taxa de desmatamento da Amazônia, que vinha seguindo uma curva descendente desde 2005, tende a sair do controle se o governo não agir rápido”, disse Adario. Apesar dos esforços do governo em aumentar a governança na Amazônia, grande parte da redução do desmatamento esteve relacionada à baixa dos commodities agrícolas nos anos anteriores. Desde o ano passado, o aumento do consumo de soja na China e do cultivo de milho para a produção de biocombustíveis nos EUA levou a uma redução da área destinada ao cultivo de soja, elevando o preço do produto. “O desmatamento da Amazônia representa 70% das emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento global. O governo se comprometeu em Bali junto à comunidade internacional de adotar medidas concretas e monitoráveis para controlar o desmatamento. Está mais do que na hora de agir de forma consistente”, disse Adario.“Para resolver o problema, o Greenpeace exige que o governo atue prioritariamente nos municípios em que as taxas de destruição são elevadas e aplique duras punições a fazendeiros que desmataram ilegalmente, punindo também as empresas e comercializadoras de grãos e carnes que negociarem produtos provenientes de áreas recém desmatadas. É vital também que o governo implemente de forma adequada seu próprio plano de combate ao desmatamento e se comprometa em reduzir a zero o desmatamento até 2015, conforme proposto por várias ONGs, entre elas o Greenpeace”, completa Adario.
Para a WWF-Brasil, avanço do desmatamento se deve a grilagem e roubo de terras
O coordenador de Áreas Protegidas da organização não-governamental WWF-Brasil, Cláudio Maretti, afirmou hoje (24) que o avanço do desmatamento na Amazônia é fruto da grilagem (posse de terras mediante falsas escrituras de propriedade), do roubo de terras. “Temos certeza de que ainda é, como sempre foi. Esse roubo de terras vem de um processo muito longo, mas basicamente é no objetivo de conquistar terras públicas que os grileiros desmatam, de forma a demonstrar a ocupação dessa terra”, afirmou Maretti, em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia.
Dados divulgados ontem (23) pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam desmatamento de uma área de mais de 3 mil quilômetros quadrados entre agosto e dezembro de 2007 na Amazônia.Segundo Maretti, a prática da grilagem na Amazônia é motivada por dois fatores, ambos ligadas à especulação de terras.
A primeira é o desenvolvimento do agronegócio, sem uma política adequada de prevenção dos impactos indiretos. Maretti citou o crescimento de áreas destinadas ao plantio de soja e de milho e à pastagem de gado de corte. “Ainda que essas atividades não causem impactos diretos e não sejam ilegais, o que é duvidoso, promovem o preço da terra. Como não há controle, essas atividades promovem uma seqüência de expulsão de proprietários, grileiros e posseiros que vão buscar novas terras [mais] para dentro da floresta.”
Outro fator é ligado ao anúncio da construção das barragens hidrelétricas do Rio Madeira. “Haja vista o crescimento substancial no desmatamento naquela área, mesmo antes do anúncio oficial e que se mantém agora”, disse Maretti. O ambientalista lembrou que os impactos indiretos com a construção das barragens são os mesmos verificados na época da construção da BR-163, que liga Cuiabá, em Mato Grosso, a Santarém, no Pará.“Desde o anúncio de uma obra governamental, já se pode observar a ação de especuladores, que normalmente, por meio da grilagem, passam ocupar essas áreas e promovem o desmatamento, o roubo das terras, a ocupação ilegal e, não raro também, crimes sociais, como o trabalho escravo e a violência rural para ocupar espaços quando esse falso desenvolvimento chegar.”
Para estancar a devastação da Amazônia, Maretti sugere a criação de novas unidades de conservação, que, segundo ele, "desestimulam a especulação imobiliária, porque nelas se supõe o domínio público a longo prazo”. Ele disse que há um conjunto grande de novas propostas de unidades de conservação que já passou por processos nos governos estaduais, no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou no Instituto Chico Mendes, e também aprovadas pelo Ministério do Meio Ambiente, mas que emperram nos pareceres do Ministério de Minas Energia e na Casa Civil. “Normalmente os processos nunca chegam para assinatura do presidente”, afirmou Maretti. De acordo com ele, é importante uma nova política florestal que incentive a criação de florestas estaduais, estudos dessas áreas e a implantação de planos de gestão e de manejo. “E em abertura de concessões de aproveitamento, como foi feito na Floresta Nacional de Jamari, em Rondônia”, acrescentou. A dificuldade para o incremento na criação de florestas estaduais é a lentidão nos procedimentos legais necessários. “Os órgãos públicos não têm capacidade suficiente, sobretudo os estados não têm gente, não têm competência para fazer essa gestão”, afirmou.
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