Thursday, March 15, 2007

ONU

Comissão de Narcóticos e UNODC pedem mais vigor no controle e prevenção das drogas


"Mídia deve evitar famosos que usam drogas", alerta diretor- executivo


Apesar de o número global de consumidores de drogas estar relativamente estável, 5% da população mundial, o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) pede ação mais vigorosa, tanto pelos países produtores quanto consumidores. O pedido foi feito durante o encontro anual da Comissão de Narcóticos, na sede do UNODC em Viena. "Nos últimos cinco anos, o grande declínio do plantio da coca tem se mantido, mas a produção de cocaína aumentou mais uma vez depois de uma baixa em 2003, por causa de altos rendimentos e melhorias no processo", disse Antonio Maria Costa, Diretor Executivo do UNODC. "A demanda mundial por cocaína também foi contida, mas não está reduzindo. A queda no consumo na América do Norte tem sido compensado por um alarmante crescimento em alguns países europeus, onde os níveis de dependência estão entre os mais altos do mundo", acrescentou Costa.

Consumo de cocaína e destruição do meio ambiente
Costa alertou sobre os danos que plantações de coca provocam ao meio ambiente e a relação com a alta demanda dos maiores consumidores, Estados Unidos e União Européia. "O crescente comprometimento europeu contra os perigos globais não é consistente com o aumento de seu consumo de cocaína, produção ilegal que causa danos ao ambiente", acrescentou Costa.

Mídia e incentivo ao consumo de drogas
O Diretor-Executivo pediu que a mídia seja mais crítica em reportagens relacionadas ao hábito de consumo de drogas "injetadas, inaladas e fumadas" de algumas estrelas e modelos. "Menos foco em celebridades que usam drogas ajudaria os governos a mudar atitudes e desenvolver mais consciência social quanto aos riscos das drogas", acrescentou. Em relação às drogas sintéticas, a demanda tem apresentado queda na Europa, mas está aumentando em diversos países em desenvolvimento, especialmente na Ásia. A cannabis (maconha e haxixe) são as drogas mais consumidas no mundo, por 4% da população mundial. Por isso apresenta mais desafios. A produção de haxixe do Marrocos - o maior produtor mundial - caiu quase 50% entre 2003 e 2006. Mas há aumento da potência do cannabis, graças a modernas técnicas de plantio, com plantas transgênicas, o que aumenta o impacto na saúde pública. Hoje a maconha pode ter níveis de THC, a substância ativa da cannabis, que variam entre 3,5% a 48%. "A maconha sempre esteve facilmente disponível e há uma cultura generalizada de políticas públicas que a negligenciam. Mas precisamos de políticas coerentes em todos os países", disse Costa.


Responsabilidade compartilhada
Hoje o enfoque da prevenção e do controle de drogas integra produção e consumo. "É um avanço que os países tenham entendido que a questão das drogas não pode ser resolvida só contendo os países produtores. Há uma oferta porque existe uma alta demanda. A responsabilidade de países ricos e consumidores não pode ser ignorada", disse Costa. Em relação ao tema, a Comissão vai propor o aumento da cooperação jurídica e policial para fazer frente ao tráfico de drogas, um problema transnacional.
Este ano, grande parte dos debates serão focados na intensificação do controle dos precursores químicos, que são as matérias-primas necessárias para produzir cocaína, heroína e drogas sintéticas, como a metanfetamina e o ecstasy. Esses produtos químicos, como o permanganato de potássio, o ácido sulfúrico e o ácido clorídrico, são utilizados em diversas atividades da indústria, o que dificulta o controle. ( Da UNODC Brasil - www.unodc.org.br)

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